Friday, June 26, 2009

Prece Às Vozes Partidas

Prece Às Vozes Partidas
(Elinando F.)

Aqui estou ouvindo o que não vejo
Aqui estou sofrendo o que não sentia
Uma voz perdida dando atenção à vida
Que por tempos me pareceu tão muda

Noite curta para uma dor comprimida
Engasgada na garganta invisível do tempo
Rumores de vez em fluxo contrário
Sob um vômito de vozes equalizadas ao silêncio

Aqui estou desperto à luz do dia
Tatuado para sempre sob cores inda frescas
Retrato do verbo amargo exorbitado
Produto desse orgulho monocordado e pessimista

Parto então nesse destino vago
Certo da aventura em fuga infinita
Indo de encontro à sombra do outro lado
Fonte desse livro de palavras esquecidas

Friday, June 19, 2009

Dialogo à Meia-Luz

Dialogo à Meia-Luz
(Elinando F.)

Quem sou eu agora hoje?
Quem sou eu agora antes?
Eu não sou mais criança
Eu virei um adulto pensante

Respeito o direito dos outros
Detesto aquele que rege a lei
Modesto na medida do possível
Pasmo diante o processo evolutivo

Na construção do acaso de algum dia
Somarão o quanto querem de desejo
Vou-me embora desse sentimento forçado
Encontro adiante um cemitério que nunca vi

Quem sou eu agora hoje¿
Ser feliz parece um mistério
Acordo de dia, desperto de noite
O amanhecer correu direto pro necrotério...

Thursday, June 04, 2009

Encontro de Duas Vias

Encontro de Duas Vias
(Elinando F.)

O caminho percorrido pelos céus é gigantesco
Dada a distância de seu percurso para ver o Sol brilhar
Pois é através de uma fenda que atravessa os nossos olhos
Que o som da vida volta a vibrar com o silêncio das pessoas...

Tuesday, May 26, 2009

Suco de Manga Morta

Suco de Manga Morta
(Elinando F.)

Tu que eras verde agora morta
Com a mesma cor de sempre-rosa
Guardaste uma sombra de luz no canto
Alma adstrigente de sabor doce

No inverno interior do momento
Ficaste no canto a espera de morrer
Até o dia de faltar a polpa
E alguém perceber que inda existias

Medo foi na hora de provar
Quando o cheiro já sem cor de exalar
Passou indiferente pelos dentes da faca

Próxima vez que eu ver outra manga
Vou trazê-la de volta ao chão
Para depois de um tempo a vida renascer...

Wednesday, April 29, 2009

Psicologia do Capibaribe

Psicologia do Capibaribe
(elinando f.)

Os olhos do rio hoje estão verdes
Os olhos do rio hoje estão azuis

Nos olhos do rio a limpidez, a calmaria
Nos olhos do rio o mau cheiro, a escuridão

Sua correnteza é um rosto apressado
Nas suas ondas escassas, um chão
O espelho de seu reflexo é a cor das manhãs
E cada cisco em seus olhos, uma lágrima no nosso coração

Os olhos do rio estão mortos
Enquanto seu espírito permanece na mente de cada um de nós...

Wednesday, January 28, 2009

Espectro Orgânico

Espectro Orgânico
(Elinando F.)

A transição de quadros, a colagem das frequências equalizadas em salas virtuais, eu adentrando em espaços de cores em expansão, fugindo de meu controle espacial, de olhos fechados onde a minha vida tem se encontrado. A dança eletrônica nas ondas, sob ritmos de vozes mudas: Os pedaços das vogais clássicas ganhando substância e a leitura das partituras em pautas infinitas. Se eu soubesse dessa possibilidade, eu já teria me lançado o quanto antes no Universo, nunca ele me pertenceu em plenitude, na forma esculpida pela mente insana, aberta às órbidas fusiformes e as galáxias extintas...

Tuesday, January 13, 2009

Oxigenação

Oxigenação
(Elinando F.)

Eu, cheio de tanta falta de inspiração, transbordo-me ao mundo que vejo, enquanto se passa mil histórias diante meus olhos. Eu não tenho muito que falar sobre isso, se não é poesia, é o vazio de todas as tardes em meu caminho de ida e volta em silêncio. Paro, e enquanto descanso um momento, ouço o soluçar do mar, o bater das ondas, e em lugar de som, vem-me uma lembrança, a parte de um calor frio, na paz de uma sensação medonha, mas boa. Eu desço, e em pé já sou outro, eu mudei de novo, mas amanhã quero voltar, pois me falta inspiração, eu preciso respirar mais dessa mesma coisa, desse mesmo vazio a polir: Meu eterno algo novo!